Em entrevista ao Contas Abertas/UOL, Representante do UNODC ressalta que recuperar dinheiro roubado é a arma moderna contra a corrupção
Brasília, 19 de setembro de 2008 - Em entrevista exclusiva ao site Contas Abertas/UOL, o Representante Regional do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), Giovanni Quaglia, afirmou que, no mundo globalizado, é preciso cooperação internacional para identificar ativos roubados, congelar e devolver o dinheiro ao país de origem. Isto está previsto na Convenção da ONU contra a Corrupção, em vigor internacionalmente desde dezembro de 2005. O Brasil ratificou o instrumento em junho de 2006 .
Quaglia também ressaltou a importância do controle social. "Em países onde a sociedade civil é mais participativa, a tendência é de haver menos casos de corrupção. E a prevenção também se torna mais fácil." Para Quaglia, o Brasil começa a caminhar nessa direção, com mais organizações não-governamentais de olho nos gastos públicos (como é o caso do Contas Abertas), e mais transparência no próprio governo, como no Portal da Controladoria-Geral da União (CGU), que tem sido fonte de dezenas de denúncias de fraude e problemas de gestão.
Mas é preciso uma transformação, rumo à cultura da legalidade. "Podemos ver que começa a ocorrer uma mudança em direção ao respeito à lei, doa a quem doer. Independentemente da pessoa e do cargo, quando se percebe que há indício de corrupção ou de descumprimento da lei, já temos casos no Brasil de pessoas indiciadas que tem que responder na Justiça." Quaglia acredita que o Brasil e a sociedade caminham para pôr em prática a Convenção contra a Corrupção "Vemos que hoje as instituições estão mais preparadas para prevenir e combater a corrupção. Naturalmente ainda há muito pela frente. Mas estamos caminhando. O UNODC está apoiando as instituições nacionais para que a aplicação da Convenção e da legislação nacional seja sempre mais eficaz".