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Assessoria de Comunicação


Consumo de drogas sintéticas cresce nos países em desenvolvimento

Novo relatório do UNODC mostra que uso de anfetaminas caiu ou se estabilizou em países já desenvolvidos, mas aumenta nos mercados emergentes
 

Viena e Brasília, 9 de setembro de 2008 - O Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC) divulgou hoje relatório que revela aumento no consumo de drogas sintéticas nos países em desenvolvimento. Nos países já desenvolvidos o uso se estabiliza e vem até diminuindo.

A "Avaliação Global 2008 de Anfetaminas, Metanfetaminas e de Ecstasy", lançada hoje em Bangkok, na Tailândia, revela que o uso das drogas sintéticas, em termos anuais, é superior ao da cocaína e da heroína juntas. Com mercado mundial de cerca de US$ 65 bilhões, as drogas sintéticas se tornaram altamente atraentes financeiramente. Com pouco investimento inicial, grandes quantidades de anfetaminas podem ser produzidas - praticamente em qualquer lugar. Tradicionalmente, grupos do crime organizado participavam do comércio ilícito, mas agora se envolvem em toda a cadeia de suprimentos: o tráfico de precursores químicos, a produção final e o tráfico doméstico e internacional de drogas sintéticas. Da produção artesanal, o mercado das anfetaminas tem se tornado mais sofisticado, com dimensões globais e liderado por grupos do crime organizado.

Novos dados mostram aumento do uso de anfetaminas e ecstasy também na América do Sul. A produção, tradicionalmente concentrada na Europa, principalmente Holanda e Bélgica, também começa a mudar para os mercados emergentes. No continente americano, a fiscalização mais acirrada na América do Norte pode transferir parte da produção de drogas sintéticas para o sul. O México já registra aumento de laboratórios clandestinos. Segundo autoridades da Bélgica, países como México, Brasil e África do Sul vêm se destacando como importantes países de destino de anfetaminas por via aérea.

Novas tendências

Depois de um aumento considerável no consumo mundial no fim dos anos 1990, o uso de drogas sintéticas na América do Norte, Europa e Oceania vem se estabilizando e até diminuindo. Mas o problema se deslocou para novos mercados ao longo dos últimos anos.

A Ásia - com população gigantesca e aumento constante de riqueza - lidera a demanda mundial por drogas sintéticas. Em 2006, quase a metade dos países asiáticos relatou um aumento no uso de metanfetaminas. No mesmo ano, só na Arábia Saudita, foram apreendidas mais de 12 toneladas de anfetaminas (principalmente na forma conhecida como Captagon), o que corresponde a 25% de toda a apreensão global de anfetaminas (um aumento surpreendente comparado a 1% de apreensão mundial registrada em 2000-2001). Em 2007, o volume apreendido foi de quase 14 toneladas. Na África do Sul, o número de laboratórios de produção de metanfetamina cresceu significativamente ao longo dos últimos cinco anos, assim como o consumo interno.

Novas formas de drogas sintéticas também começam a surgir. É o caso da metanfetamina cristalina ( crytal meth). Com alto grau de pureza, a droga encontrada principalmente em países do sudeste asiático. "Além dos  riscos à saúde, comuns a todas as drogas sintéticas, a crystal meth também é usada de forma injetável, com alto potencial de propagar o HIV", explica o especialista do UNODC, Jeremy Douglas.

América Latina e Caribe

Os países da América Latina e Caribe tradicionalmente vêm concentrando esforços no controle da cocaína, enquanto a produção, tráfico e consumo de anfetaminas não têm sido percebidos como grande ameaça pelos governos. Historicamente, o uso de anfetaminas nas sub-regiões está ligado a prescrições indevidas e ao desvio para uso ilícito de estimulantes fabricados de forma lícita. Novos dados indicam que a produção ilegal de anfetaminas pode estar se intensificando na região. Muitos países sequer estão cientes do problema, diante de relatos oficiais incompletos ou insuficientes e da falta consciência sobre a rapidez em que os mercados de anfetaminas podem surgir. A falta de infra-estrutura técnica para investigação também enfraquece a forma como os governos enfrentam o problema.

Países da região relatam aumento de desvio do estimulante pseudoefedrina. Em 2001 só haviam sido relatados dois casos de contrabando da substância na América Latina e no Caribe. Em 2006, o número de países que relataram contrabando subiu para 10. Autoridades da Argentina e da Costa Rica também informaram aumento nas apreensões de precursores de anfetaminas, sendo muitos deles fórmulas farmacêuticas (antigripais e descongestionantes) desviadas para uso ilícito. No Peru, o número de casos de precursores químicos e de tráfico de drogas sintéticas em 2007 fornece indicações indiretas de produção de anfetaminas no país.

Ecstasy

Relatórios recentes indicam que o tráfico de ecstasy e derivados está aumentando na América Latina e Caribe. Autoridades mexicanas acreditam que as substâncias estão sendo transportadas da Europa para outros países da região usando a América Central como corredor. Autoridades da Costa Rica manifestam preocupação com o aumento do tráfico de ecstasy, cuja apreensão aumentou de 557 pílulas em 2001 para 19 mil pílulas em 2007. Também há alertas sobre carregamentos transnacionais de ecstasy. Autoridades do Equador indicam que o território vem sendo usado como corredor para os Estados Unidos. Muitas vezes o ecstasy vindo da Holanda é trocado na América do Sul por outras drogas, como a cocaína, que segue rumo à Europa.

Pesquisas domiciliares no Peru mostram aumento do uso de ecstasy em festas "rave" e aumento nos serviços de entrega por telefone e via Internet. Especialistas dos países sul-americanos que responderam aos relatórios do UNODC manifestaram preocupação com o uso de anfetaminas na Argentina, República Dominicana, El Salvador, Guatemala e Peru. Houve aumento da percepção de uso de ecstasy na Argentina, Chile, El Salvador, Guatemala, e Peru.

A preocupação com o aumento no uso de anfetaminas também se deve ao fato de que o maior público consumidor é formado por jovens. Na Colômbia, a prevalência anual (uso pelo menos uma vez ao ano) entre estudantes do ensino médio foi de 3,5% (em 2005), enquanto a prevalência anual da população entre 15-64 anos ficou em 0,5%. No Brasil, pesquisas realizadas em 2004-2005 mostraram que 3,4% dos estudantes do ensino médio usaram estimulantes do grupo anfetamínico pelo menos uma vez ao ano.

Tabela 1: América do Sul - Prevalência anual (uso pelo menos uma vez ao ano) de anfetaminas entre estudantes do ensino médio (2004-2005)

No continente americano, o uso de estimulantes sintéticos (produzidos de forma lícita) aumentou de 7 doses diárias para cada mil habitantes (2000-2002) para 11 doses diárias (2004-2006): um aumento de 57%. A maioria se refere ao uso indevido de anorexígenos (estimulantes usados como remédios para emagrecer). Argentina e Brasil são o primeiro e o terceiro país que mais consomem essas substâncias no mundo, com 17 e 10 doses diárias por mil habitantes, respectivamente.

Entre 2001 e 2006 a Bélgica apreendeu 1,1 tonelada de anfetamina e 3,5 toneladas de ecstasy (a segunda maior quantidade da droga apreendida na Europa). Em 2001, 20% das pílulas de ecstasy apreendidas tiveram origem nos Países Baixos, enquanto 80% foram produzidas domesticamente. Até 2006, a proporção do ecstasy fabricado de forma artesanal (doméstica) aumentou para 90%. Autoridades também notam que carregamentos com diversos tipos de drogas vêm sendo mais comuns.

Tabela 2: Mudanças nos padrões do tráfico de anfetaminas (2001-2006)

Tabela 3: Mudanças nos padrões do tráfico de ecstasy (2001-2006)

Metodologia

As análises do mercado de anfetaminas requerem cooperação internacional, com dados precisos, comparáveis e certa periodicidade. Os relatórios do UNODC são fortemente baseados nos dados enviados pelos países-membros da ONU. Mas há relatos irregulares ou incompletos vindos de diversas regiões, inclusive leste e sudeste da Ásia (exemplo: Vietnã), sul da Ásia e Oriente Médio (exemplo: Arábia Saudita), e sub-regiões nas Américas (exemplo: Brasil), a maior parte da África e muitas ilhas do Pacífico e territórios. São estas mesmas regiões que já dão indícios de problemas de alastramento de uso de anfetaminas.

Tabela 4. Prevalência anual (uso pelo menos uma vez ao ano) de anfetaminas por região 2002 e 2006

Informações sobre a abrangência do consumo de anfetaminas (prevalência anual) estão entre os piores indicadores. Pesquisas domiciliares e outros relatórios estão obsoletos. Outra limitação é a falta de informação sistemática e de investigação técnica. No caso específico de estimulantes do grupo anfetamínico, as grandes limitações são os precursores utilizados para a produção das drogas e o tamanho e capacidade dos laboratórios clandestinos. Sem estes dados, que contribuem para indicar tendências de oferta e demanda, a tarefa de detectar mudanças no mercado de anfetaminas se torna muito difícil.

Gráfico 5: Prevalência anual (uso pelo menos uma vez ao ano) em percentagem da população mundial entre 15-64 anos: anfetaminas, ecstasy, cocaína e heroína

 

Veja o relatório completo (pdf em inglês)

Leia o release de imprensa em inglês

Mais informações

Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC-Brasil e Cone Sul)
Carolina Gomma de Azevedo
Assessora de Comunicação

Tel: +55 61 3204 7206
Cel: + 55 61 8143 4654

carolina.azevedo@unodc.org
www.unodc.org.br.



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