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Pesquisa do UNODC: aumentou o cultivo de coca na região andina
Houve aumento de 27% no plantio na Colômbia, 5% no Peru e 4% na Bolívia
Viena e Brasília, 19 de junho - O Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime (UNODC) divulgou ontem a Pesquisa da Coca Andina, que revela um crescimento no mercado de cultivo de coca. A área total sob cultivo de coca na Bolívia, Colômbia e Peru em 2007 foi de 181,6 mil hectares, um crescimento de 16% em relação a 2006, e o nível mais alto desde 2001. Ainda assim, as cifras ficam bem abaixo dos cenários encontrados nos 90. O crescimento se deve, principalmente, a um aumento de 27% na produção de coca na Colômbia (um total de 99 mil hectares), e um aumento - em menor escala - na Bolívia e no Peru, 5% e 4% respectivamente.
Apesar do crescimento do cultivo de coca, a produção permanece estável. Em 2007 o potencial da produção total de cocaína atingiu 994 toneladas; permaneceu praticamente inalterada em seus 984 t registrados em 2006.
"O crescimento no cultivo de coca na Colômbia é uma surpresa e um choque: uma surpresa porque isso acontece em um período em que o governo da Colômbia está tentando bravamente erradicar a coca; um choque devido à magnitude do cultivo", disse o Diretor-Executivo do UNODC, Antonio Maria Costa. "Mas essas más notícias devem ser observadas em perspectiva". A pesquisa por amostragem do UNODC mostra que quase metade de toda produção de cocaína (228 t) e um terço do cultivo (35 mil hectares) são provenientes de apenas 10 dos 195 municípios do país (5%). "Exatamente como no Afeganistão, onde a maioria do ópio cresce nas províncias com uma forte presença do Talibã, na Colômbia, a maior parte da coca cresce nas áreas controladas pelos insurgentes", observou Costa.
Mesmo como um considerável crescimento no cultivo de coca, a produção de cocaína na Colômbia (o maior produtor mundial) permaneceu quase inalterada em 2007 (600 t). Os baixos rendimentos se devem à exploração de terra em áreas menores, mais dispersas, em locais remotos. "Há alguns anos atrás, o governo da Colômbia destruiu grande parte de fazendas de coca em termos de erradicação aérea, que desmantelou grupos armados e traficantes como nunca antes. No futuro, com as FARC enfraquecidas, será possivelmente mais fácil controlar o cultivo de coca", disse o Sr. Costa.
O Diretor-Executivo do UNODC enfatizou a urgência de implementar nas regiões de plantação de coca programas abrangentes, em larga escala, ecológicos, e que conciliem a agricultura e a preservação de áreas florestais. A pesquisa do UNODC mostra que na Bolívia, o cultivo de coca tem crescido principalmente em regiões como La Assunta e em Yungas de La Paz, onde investimentos em desenvolvimento são escassos. Por outro lado, regiões que têm se beneficiado com apoio para programas de desenvolvimento alternativo (incentivo aos pequenos produtores para o plantio de produtos lícitos), como Alto Beni, têm sido capazes de limitar o cultivo de coca.
No Peru, altas nos preços de produtos como o café, óleo de palma, e cacau - cujas produções vêm crescendo com o apoio de programas alternativos de desenvolvimento - vem convencendo um número crescente de fazendeiros a desistir de replantar campos de coca já erradicados.
O Programa de Guardas Florestais na Colômbia ajuda fazendeiros que se comprometem a erradicar a coca voluntariamente enquanto promovem o reflorestamento. "Com um controle maior do território nacional governos podem ajudar fazendeiros a aderirem a empregos lícitos e abandonarem o cultivo ilícito. Essa é a melhor forma de acabar com a pobreza e ao mesmo tempo com a coca", disse o chefe da ONU contra as drogas.
"Países andinos estão lutando para enfrentar o problema da cocaína. Países, no Oeste da África, América Central e Caribe estão no meio de rotas do tráfico de cocaína. Países onde o consumo de cocaína é alto, como a Europa e a América do Norte, precisam diminuir a demanda nacional", disse o Costa.
Veja o relatório completo (pdf em espanhol)
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