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Assessoria de Comunicação


Internos de centro de ressocialização no DF discutem políticas para jovens

Propostas serão debatidas em Conferências de Juventude

Professor Mario Ângelo, da UnB, coordena dinâmica com jovens do Cesami



Brasília, 13 de março - Internos do Centro Sócio-educativo Amigoniano (Cesami) discutiram políticas públicas para jovens durante encontro, ontem, promovido pela Subsecretaria de Juventude/Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania, do Governo do Distrito Federal. O Cesami abriga, durante 45 dias, cerca de 120 jovens infratores de até 18 anos que aguardam decisão judicial. Participaram do encontro o subsecretário de juventude do DF, Luciano Lima; o subsecretário de medidas sócio-educativas, João Alves e os padres Manolo e Hernandes, entre outros.

Drogas e Juventude

O professor do Núcleo de Estudos e Ações Multilaterais de Cooperação em Educação e Saúde, da Universidade de Brasília (UnB), Mario Ângelo Silva, liderou dinâmicas de grupos de discussão, centradas no caderno temático de drogas da Secretaria Nacional de Juventude. A assessora do Escritório da ONU contra Drogas e Crime (UNODC), Amanda Rezende, colaborou como relatora.
O caderno temático serve de base para levantar demandas dos jovens de todo o país. As propostas serão discutidas nas Conferências de Juventude Municipal, Estadual, Distrital e Nacional.

A Subsecretaria de Juventude do DF enviará hoje o relatório sobre as propostas dos jovens à Secretaria Nacional de Juventude.

Violência

"Onde eu moro, em Samambaia, a droga faz parte da vida das pessoas. E está diretamente ligada à violência. Quem usa e não tem como pagar a droga, acaba roubando", disse um dos jovens. Para a maioria dos internos, a droga mais problemática na comunidade é o álcool. "Via meu pai bebendo. Ele até hoje bate na minha mãe. Todo mundo toma álcool. É barato e fácil de comprar", disse K., de 13 anos. Ele contou que usava drogas, especialmente "Rupinol", remédio controlado. "Estava ´doidão´. Bati na professora com uma cadeira. Foi tão forte que ela até hoje tem problema de coluna".

Drogas na Escola

Cesami

Os jovens disseram que a droga está sempre presente na escola. "A droga está dentro e fora do colégio. Eu cheirava na escola, antes de entrar na sala. E também já vendi lá dentro para muita criança", disse W., de 18 anos. Os amigos incentivam. "A gente começa usando droga dos outros. Depois os colegas mandam a gente arrumar dinheiro para comprar. Aí comecei a roubar", disse um jovem morador de Recanto das Emas.

Mídia

"Quando se vê álcool na propaganda da TV, só tem coisa boa. Cerveja chama diversão, mulheres lindas e alegria. Mas quando é para falar de outras drogas, os 'viciados´ são vistos como criminosos", contou o grupo de internos do Cesami. Segundo a Pesquisa Mídia e Drogas, elaborada pela Andi (Agência Nacional de Direitos da Infância) e Ministério da Saúde, cerca de 27% de reportagens publicadas na imprensa brasileira em 2005 relacionaram o uso de drogas à violência. Só 3,5% das notícias discutiram o assunto sob o ponto de vista da saúde e da prevenção.

Propostas

O grupo sugeriu que o governo invista mais em prevenção às drogas - com informação clara sobre o que são e os efeitos no organismo - especialmente nas escolas. "Não adianta reprimir. Quanto mais dizem ´diga não às drogas´, mais aparecem dependentes", disse W.

Sobre a discussão da legalização da maconha, acham que há menos efeitos nocivos, comparados aos do crack e cocaína. Mas acreditam que se a droga for legalizada, o número de consumidores vai aumentar, podendo também aumentar a criminalidade. "Onde vivemos, quem usa acaba roubando para comprar mais e mais drogas", explicam.

A Conferência Distrital de Juventude será entre 29 e 30 de março, e a Nacional será entre 27 e 30 de abril. Ambas serão em Brasília.

Saiba mais sobre a Conferência Distrital: http://www.sejus.df.gov.br/paginas/sejuv/sejuv_06.htm
Saiba mais sobre a Conferência Nacional: http://www.conferenciadejuventude.com.br

Mais informações:

Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC-Brasil e Cone Sul)

Assessoria de Comunicação
Tel: +55 61 3204-7200
unodc.brasil@unodc.org



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